Calendário naturalista de Setembro
Setembro vira a chave. A chuva volta, e com ela a mata brota folha nova. As aves começam a namorar: cantam alto, para chamar atenção, e já dá para ver algumas passando com galhos no bico, começando a construir os ninhos. As flores ainda demoram um pouco. Conforme o mês avança, as árvores vão florindo, quase todas ao mesmo tempo, e tudo o que come néctar aparece atrás delas.
Insetos
Com a mata brotando, a lagarta tem folha nova para comer e a borboleta volta a aparecer. A prepona não procura flor: desce no fruto caído que já está fermentando. A lagarta-das-palmeiras come folha de palmeira e fica em fila, uma atrás da outra.
Plantas
Em setembro a mata floresce quase toda junta: a embaúba, o tapiá, a capororoca, a canjerana e o grão-de-galo abrem flor quase ao mesmo tempo. A jabuticaba e a uvaia já estão com fruto. A baunilha, que é orquídea, sobe pelo tronco como cipó.
Aves
A tesourinha volta agora, depois de passar o inverno longe, e ela é fácil de reconhecer pela cauda comprida partida em duas. Com tanta flor abrindo, o beija-flor e o saí têm comida por toda parte.
Fungos
A chuva volta em setembro e o cogumelo brota junto. A xilária é preta e dura, sai da madeira morta parecendo dedo queimado. A trêmela é gelatinosa e balança quando se toca no galho.
Aracnídeos
A parawixia arma a teia redonda entre os galhos e refaz quando ela rasga. Em setembro, com mais inseto voando, a teia enche mais rápido.
Anfíbios
O sapo-de-floresta anda no folhiço e não pula muito: caminha. Ele tem uma glândula grande atrás de cada olho, e é dali que sai o veneno se algum bicho tenta abocanhá-lo. Com o calor voltando, o coro à noite recomeça.
Répteis
O calango sobe na pedra ao sol e faz flexão com as pernas da frente, subindo e descendo o corpo. É assim que ele avisa aos outros que aquele pedaço de pedra já tem dono.
Mamíferos
O macaco-prego-preto anda em bando e faz barulho muito antes de aparecer. Ele usa pedra para quebrar coco duro, e o filhote aprende olhando. O gambá sai de noite e come o que achar.
Peixes
O cangulo tem o corpo achatado e um espinho nas costas que ele levanta e trava dentro da fresta, para não ser puxado de lá.
Moluscos
O caramujo-surfista vive de cabeça para baixo no alto-mar, pendurado numa balsa de bolhas que ele mesmo fabrica, e a maré às vezes empurra a concha roxa dele até a areia.
_orquideas
A baunilha volta a florir com a primavera. Ela é a única orquídea que a gente come, e a fava só ganha cheiro depois de secar e curtir por semanas.
_frutas
Em setembro a pitanga está com fruto, e a uvaia e a cereja-do-rio-grande também. As flores ainda estão começando, mas ao longo do mês a mata floresce quase toda junta, e setembro é o mês com mais árvores em flor do ano: embaúba, tapiá, capororoca, canjerana, pau-viola.
Crustáceos
Em setembro é provável ver o caranguejo-saltador. Ele vive agarrado no que boia no mar aberto, em tábua, alga solta ou casco de tartaruga, e vai aonde a correnteza levar. No riacho, longe do mar, vive o pitu.
Cnidários
Em setembro é provável ver o veleiro na areia. Ele tem uma crista dura em cima que funciona como vela, e não nada: vai para onde o vento empurra, e por isso chega aos montes de uma vez só.
_cores
A espera pelo amarelo
Em setembro a Serra do Mar em São Sebastião ainda está toda verde, mas quem conhece o ritmo da Mata Atlântica sabe que o cenário está prestes a mudar. Duas árvores nativas pintam a encosta com o mesmo amarelo, em tempos e jeitos diferentes.
O ipê-amarelo (Handroanthus albus) é o tudo ou nada: derruba todas as folhas, fica despido e seco, e então explode em buquês de um amarelo puro e denso. A florada vem entre agosto e setembro e dura pouco, de sete a dez dias, até as pétalas caírem e formarem um tapete dourado no chão.
O guapuruvu (Schizolobium parahyba) é uma das árvores de crescimento mais rápido da nossa floresta. Mantém a estrutura alta e majestosa, e as flores amarelas formam hastes longas, como nuvens douradas flutuando sobre a copa. Começa no fim de agosto e setembro e segue com mais fôlego pela primavera, muitas vezes até outubro ou novembro.
Ainda não vejo o amarelo salpicar a encosta, mas o calendário da natureza não falha: os ipês e guapuruvus já ensaiam a abertura, e em poucos dias a serra vai lembrar por que a primavera por aqui é inesquecível.
por_do_sol
Em setembro, em Maresias, o sol ainda não se põe no mar, mas já está a caminho: a cada tarde ele desce um pouco mais perto da água. Nos dias de céu limpo, o arrebol toma o céu atrás da serra, e são esses fins de tarde que estão aqui, em fotos e vídeos.
Registrado em setembro
- Abacate (Persea americana)
- Abiu roxo (Chrysophyllum cainito)
- Abrachium floriforme
- Abracrini
- Actenodes nobilis
- Agra
- Ambonus distinctus
- Amydetes
- Anicla
- Aranha-espinho (Gasteracantha cancriformis)
- Arapaçu-de-garganta-branca (Xiphocolaptes albicollis)
- Arapuá (Trigona spinipes)
- Archaeoprepona
- Arctiini
- Aristolochia
- Assanhadinho (Myiobius barbatus)
- Aulacizes conspersa
- Bacurau (Nyctidromus albicollis)
- Baiacu-carioca (Sphoeroides camila)
- Baunilha-do-tabuleiro (Vanilla phaeantha)
- Beija-flor-roxo (Chlorestes cyanus)
- Bem-te-vi (Pitangus sulphuratus)
- Besouro-Anúbis (Megasoma anubis)
- Besouro-clicador (Ellipticus testaceus)
- Besouro-jóia-gigante (Euchroma giganteum)
- Bicho-pau (Metriophasma pericles)
- Bico-chato-de-orelha-preta (Tolmomyias sulphurescens)
- Borboleta-amarela (Phoebis argante)
- Borboleta-Asas-de-Punhal (Marpesia petreus)
- Borboleta-esmeralda (Philaethria wernickei)
- Borboletas e traças (Lepidoptera)
- Borboletas-azuis (Morpho)
- Broca-do-cacho-do-coqueiro (Homalinotus coriaceus)
- Bromélia-tocha (Billbergia pyramidalis)
- Cabeçudo (Leptopogon amaurocephalus)
- Caboclinhos e Papa-capins (Sporophila)
- Calangos (Tropidurus)
- Callopepla emarginata
- Calpodes
- Camarão-de-água-doce (Macrobrachium potiuna)
- Cangulo (Balistes capriscus)
- Canthon
- Caramujo-surfista-alongado (Janthina umbilicata)
- Caranguejo-saltador-mimico (Planes minutus)
- Catiguá-morcego (Guarea macrophylla)
- Caviria
- Charidotis
- Chelymorpha
- Choquinha-Cinzenta (Myrmotherula unicolor)
- Choquinha-de-peito-pintado (Dysithamnus stictothorax)
- Chorozinho-de-Asa-Vermelha (Herpsilochmus rufimarginatus)
- Cigarra-Formosa (Carineta diardi)
- Cigarrinha-de-espinho (Molomea magna)
- Cirrípedes (Cirripedia)
- Cogumelo-tinta-franzido (Parasola plicatilis)
- Coleirinho (Sporophila caerulescens)
- Corallina officinalis
- Couve (Brassica oleracea)
- Cuspidor-de-máscara-preta (Conopophaga melanops)
- Cyclosemia
- Dama-pintada-brasileira (Vanessa braziliensis)
- Deselvana
- Doriopsilla
- Ennominae
- Eudulophasia
- Fia-de-mina-grande (Brillantaisia lamium)
- Fragata-comum (Fregata magnificens)
- Fulgomorfos (Fulgoromorpha)
- Gagrellinae
- Gaivotão (Larus dominicanus)
- Gambá-de-orelha-preta (Didelphis aurita)
- Garça-branca-pequena (Egretta thula)
- Glyptapanteles
- Guaraná triangular (Paullinia meliifolia)
- Helicônia (Heliconia bihai)
- Helicônio-de-numata (Heliconius numata)
- Heorta pulchra
- Hesperiinae
- Heteragrion
- Hypoxys
- Insetos alados (Pterygota)
- Isagoras
- Jacarandas (Jacaranda)
- Jacuaçu (Penelope obscura)
- Joaninha (Hyperaspis corcovado)
- Joaninha (Eriopis connexa)
- João-mole (Guapira opposita)
- Lagarta-verde-das-palmeiras (Opsiphanes invirae)
- Macaco-prego-preto (Sapajus nigritus)
- Mamangava-do-toco (Xylocopa frontalis)
- Mariposa-esfinge (Isognathus australis)
- Mariposa-fantasma (Trichophassus giganteus)
- Memphis
- Memphis moruus
- Micrathetis canifimbria
- Mosca-taquinídea (Oxyptera brasiliensis)
- Moscas-de-pernas-longas (Condylostylus)
- Mysidiina
- Ololygon
- Oodescelis
- Ophion
- Opsiphanes
- Paineira (Ceiba speciosa)
- Panus strigellus
- Parawixia
- Pau-d'arco-amarelo-da-mata (Handroanthus serratifolius)
- Paullinia
- Peixe-enxada-do-Atlântico (Chaetodipterus faber)
- Perereca-do-litoral (Ololygon littoralis)
- Perithemis
- Pernilongo-de-costas-negras (Himantopus mexicanus)
- Philophyllia
- Phlugidini
- Pica-pau-bufador (Piculus flavigula)
- Pica-pau-verde-barrado (Colaptes melanochloros)
- Piper
- Piper arboreum
- Plantas (Plantae)
- Platyphyllum
- Príncipe (Pyrocephalus rubinus)
- Proxys albopunctulatus
- Pyrausta phoenicealis
- Pyrginae
- Quero-quero (Vanellus chilensis)
- Rabo-branco-rubro (Phaethornis ruber)
- Rabo-de-andorinha-de-manchas-amarelas (Eurytides telesilaus)
- Rendeira (Manacus manacus)
- Risadinha (Camptostoma obsoletum)
- Rudgea
- Sabiá-barranco (Turdus leucomelas)
- Sabiá-coleira (Turdus albicollis)
- Sabiá-do-campo (Mimus saturninus)
- Sabiá-poca (Turdus amaurochalinus)
- Sabiá-una (Turdus flavipes)
- Sagui-da-serra-escuro (Callithrix aurita)
- Saíra-amarela (Stilpnia cayana)
- Saíra-ferrugem (Hemithraupis ruficapilla)
- Saíra-Viúva (Pipraeidea melanonota)
- Saltadora-das-trilhas (Anthoptus epictetus)
- Sapo-de-floresta (Rhinella ornata)
- Sapo-martelo (Boana faber)
- Sapos (Anura)
- Saracura-do-mato (Aramides saracura)
- Scinax
- Semaeostomeae
- Singerocybe clitocyboides
- Sinningia iarae
- Sosxetra grata
- Sphaerotus curvipes
- Sphictyrtus
- Suiriri (Tyrannus melancholicus)
- Surucuá-de-barriga-amarela (Trogon viridis)
- Synanthedonini
- Tabernaemontana
- Tamanqueiro (Alchornea glandulosa)
- Taturana (lagarta) (Podalia orsilochus)
- Taturana oblíqua (Lonomia obliqua)
- Teque-teque (Todirostrum poliocephalum)
- Thynnidae
- Tiê-galo (Loriotus cristatus)
- Tiê-sangue (Ramphocelus bresilius)
- Tiranídeos (Tyrannidae)
- Topetinho-verde (Lophornis chalybeus)
- Tremella
- Tucano-de-bico-verde (Ramphastos dicolorus)
- Typophorus
- Vaginulus taunaisii
- Veleiro (Velella velella)
- Verrucosa meridionalis
- Vespas-oleiras (Eumeninae)
- Xylaria