Bacurau
Nyctidromus albicollis
- Grupo
- Aves
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Status de conservação
- Pouco preocupante (LC)
- Fotografias
- 4
O bacurau não faz ninho. Nada de graveto, nada de capim: a fêmea bota um ou dois ovos direto no chão pelado, no meio das folhas secas, e pronto. A aposta é toda numa coisa só: ninguém vai ver. E ninguém vê mesmo, porque a plumagem dele é uma pintura de marrons, pretos e canelas que copia perfeitamente o chão da mata.
O bicho é tão confiante na camuflagem que fica imóvel mesmo com gente passando perto. Você pode estar a dois passos de um bacurau e jurar que está olhando pra um monte de folhas.
E se um predador chega perto demais dos ovos ou filhotes, o adulto encena um teatrinho: sai se arrastando, fingindo estar com a asa quebrada, bancando a presa fácil. O predador vai atrás do "machucado", que vai se afastando, se afastando, e quando os filhotes já estão longe do perigo, o doente sara na hora e voa embora.
O bacurau é ave da noite. De dia dorme escondido; quando o sol cai, acorda pra caçar insetos no ar, com aqueles olhos grandes de quem enxerga no escuro. É comum ele pousar em estradinha de terra e trilha ao anoitecer, e a voz ritmada dele é parte da trilha sonora noturna daqui.
Essa foto fiz num fim de tarde, no caminho de casa, aqui em Maresias. Se ele não estivesse num lugar aberto, eu nunca teria percebido.
À noite, quando ouvir um canto repetido vindo do escuro, pode apostar: tem um mestre da invisibilidade trabalhando ali perto.