Guaraná triangular

Paullinia meliifolia

Grupo
Plantas
Onde foi registrada
São Sebastião, Maresias
Fotografias
7

Todo mundo conhece o guaraná da Amazônia, o do refrigerante e do pó. Quase ninguém sabe que existe um guaraná aqui na Mata Atlântica, do mesmo gênero que aquele, e que ele não é arbusto: é cipó. Aqui em Maresias eu encontro com facilidade, na borda da mata.

O nome dele é guaraná-triangular, e o nome vem do fruto. Em outros cantos do Brasil chamam de pananá. A cápsula vermelha tem três quinas bem marcadas e abre ainda pendurada no galho, mostrando lá dentro uma semente escura com uma capa clara em volta. Parece um olho arregalado encarando você do meio do verde. E não é impressão minha: as plantas desse grupo são chamadas de olhos-de-boneca, exatamente por isso.

As três quinas contam uma história de perda. O fruto começou a vida com três câmaras, uma sementinha em cada. Pelo caminho, duas murcham e desistem, e sobra uma só, que engorda e toma conta de tudo. As quinas são a lembrança das duas que ele não conseguiu criar.

E a capa branca dessa semente se come. Quem conta é Helton Josué Teodoro Muniz, colecionador que cultiva e cataloga frutas raras do Brasil: ele colhe, prova e diz que é adocicada e que lembra guaraná. Faz sentido, porque é a mesma estrutura que no guaraná da Amazônia é doce e quase sem cafeína, feita para atrair quem carrega a semente embora.

Quem come com certeza é o passarinho. É para ele que o cipó pendura aquele vermelho no alto, abre o fruto sozinho e deixa a semente à mostra. Vermelho por fora, escuro no meio, branco em volta: um anúncio de três cores para ser visto de longe no meio do mato.

Se você quebrar a cápsula, sai leite. Um líquido branco, de verdade, coisa que quase ninguém espera numa planta dessa família. Está na descrição botânica de 1896 e está também, escrito à mão, na etiqueta de dois coletores paulistas que passaram por aqui em anos diferentes e anotaram a mesma coisa sem se conhecerem.

O cipó sobe agarrado por gavinhas, aqueles fiozinhos que se enrolam no que encontram pela frente. Só que as dele não são folha nem galho: nascem no próprio cacho de flores, um par na base. A planta sobe pendurada no buquê. E as flores enganam, porque todas parecem completas e cada uma funciona só como macho ou só como fêmea, guardando por dentro uma peça do outro sexo que não chega a abrir.

Encontrei este cipó duas vezes no mesmo canto de Maresias, com cinco anos entre uma vez e outra, e nas duas ele estava carregado de fruto em setembro. Se você topar com um, vale olhar de perto. Provar é outra conversa: esta planta é pouco estudada, tanto que o único trabalho científico que existe sobre ela é de laboratório, e não há pesquisa nenhuma que diga se dá para comer com segurança.

Guaraná triangular (Paullinia meliifolia), plantas, fotografado em Maresias, São Sebastião Guaraná triangular (Paullinia meliifolia), plantas, fotografado em Maresias, São Sebastião Guaraná triangular (Paullinia meliifolia), plantas, fotografado em Maresias, São Sebastião Guaraná triangular (Paullinia meliifolia), plantas, fotografado em Maresias, São Sebastião Guaraná triangular (Paullinia meliifolia), plantas, fotografado em Maresias, São Sebastião Guaraná triangular (Paullinia meliifolia), plantas, fotografado em Maresias, São Sebastião Guaraná triangular (Paullinia meliifolia), plantas, fotografado em Maresias, São Sebastião

Mais em Plantas

Fechar × ‹ ›