Piper arboreum
Piper arboreum
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Quem planta essa árvore na Mata Atlântica é morcego, e ele trabalha à noite.
O fruto dela é uma espiga fina e esverdeada, apontada para cima como uma vela, coberta de sementes minúsculas. Não é fruta de bico nem de mão: é comida de morcego frugívoro, que arranca a espiga inteira, leva para longe e vai comendo em voo.
O que sai depois cai espalhado por uma área enorme, longe da árvore-mãe. Um único morcego dessa turma pode deixar milhares de sementes por noite, e por isso eles estão entre os principais responsáveis por refazer trecho de mata derrubada.
A planta é da mesma família da pimenta-do-reino, e o parentesco aparece quando se amassa uma folha entre os dedos: sai um cheiro apimentado, meio picante, que fica na mão.
O caule também entrega o grupo. Ele tem nós inchados de espaço em espaço, como um bambu grosso, e é sempre num desses nós que nasce a folha.
Ela cresce na sombra do sub-bosque, aquele andar de baixo da mata onde quase não chega sol, e é uma das primeiras a aparecer quando uma clareira começa a fechar.
Fotografei essa numa trilha em Maresias, em setembro, com as espigas já formadas.