Glyptapanteles
Glyptapanteles
- Grupo
- Insetos
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Fotografias
- 4
Ouvir a história, na voz do autor:
A lagarta desta foto está viva, e é um zumbi. De verdade, não de filme. Aqueles casulos brancos espetados nas costas dela são de vespas que cresceram dentro do corpo dela, comendo por dentro, e acabaram de sair.
Funciona assim. A vespa fêmea, minúscula, pousa na lagarta e põe os ovos dentro dela, dezenas de uma vez, às vezes oitenta. As larvas crescem lá dentro por umas duas semanas, e num dia combinado furam a pele e saem todas juntas. Ali mesmo, agarradas ao corpo da lagarta, tecem os casulos.
Aí vem a parte em que ninguém acredita. A lagarta não morre. Ela para de comer e para de andar. Fica ao lado dos casulos, imóvel, e passa a bater a cabeça com violência em qualquer coisa que chega perto. Vira guarda-costas de quem a devorou.
Pesquisadores testaram isso no Brasil, com uma vespa deste gênero. Sem a lagarta de guarda, morre o dobro de casulos. Nos encontros com percevejos, que comem casulo de vespa, em mais da metade das vezes ela espantou o intruso. E ao abrir as lagartas de guarda, encontraram uma ou duas larvas que não saíram: ficaram lá dentro, vivas, e tudo indica que são elas que controlam o zumbi, se sacrificando pelas irmãs. Só depois que as vespas adultas deixam os casulos é que a lagarta morre, de fome, uma semana depois.
Fotografei em setembro de 2025, aqui em Maresias, e as três fotos são do mesmo encontro: a lagarta laranja e peluda, sobre uma placa, com o cacho de casulos de pé nas costas. Não sei qual lagarta é, e o estudo foi feito com outra. O que é certo é o gênero da vespa e o que ela faz.
Vespas primas dela são criadas aos milhões e soltas nos canaviais do Brasil pra fazer o mesmo com a broca-da-cana. É o maior programa de controle biológico do mundo. E esta é a foto mais desconfortável do acervo, e uma das mais importantes.