Garça-branca-pequena
Egretta thula
- Grupo
- Aves
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Status de conservação
- Pouco preocupante (LC)
- Fotografias
- 12
As penas dessa garça já valeram mais que ouro. Não é modo de dizer: há uns cem anos, as plumas finas que ela exibe na época de namoro eram vendidas, grama por grama, pelo dobro do preço do ouro, pra enfeitar chapéus de moda. A caçada foi tão feroz que a garça-branca-pequena quase desapareceu. Foi preciso criar leis e reservas pra salvá-la, e ela virou um dos símbolos da luta pra proteger as aves. Hoje, felizmente, está de volta em todo canto.
E ela tem um truque de pesca que parece mágica: os sapatinhos dourados. As pernas são pretas, mas os pés são amarelo-vivos, e ela usa isso a favor: mexe os pés na água rasa, agitando o fundo, e os peixinhos e camarões assustados pulam do esconderijo, direto na mira do bico.
O bico, aliás, é preto, fino e preciso como uma pinça. O conjunto todo é elegância pura: branca dos pés à cabeça (menos os pés, claro), com um voo leve que parece não ter pressa.
Ela pesca de vários jeitos: pisoteia o fundo, corre atrás de cardume, faz sombra com as asas pra enxergar melhor dentro d'água. E costuma trabalhar em grupo com outras garças, porque peixe espantado por uma vira almoço da outra.
Os filhotes nascem em colônias barulhentas, em ninhos de graveto montados em árvores e ilhas, muitas vezes na vizinhança de outras espécies de garça.
Essa foto fiz aqui em Maresias, no canto onde o rio encontra o mar, e ela estava justamente de pesca.
Quando avistar uma garça branca pequena parada na água rasa, olha pros pés. Se forem dourados, você achou a dona dos sapatinhos que valeram mais que ouro.