Surucuá-de-barriga-amarela
Trogon viridis
- Grupo
- Aves
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Status de conservação
- Pouco preocupante (LC)
- Fotografias
- 36
Esse pássaro faz o ninho dentro da casa dos cupins. Ele acha um cupinzeiro daqueles grandes, grudado no tronco da árvore, e cava um buraco ali mesmo, no meio da cidade dos cupins. É lá dentro que a fêmea bota os ovos, dois ou três, branquinhos.
É o surucuá-de-barriga-amarela. O macho tem as costas verdes brilhando feito metal, o peito escuro e a barriga de um amarelo forte, que parece aceso. A fêmea é mais discreta, de tons acastanhados, mas com a barriga amarela também.
E ele tem um jeito curioso de viver: fica parado. Parado de verdade, minutos e minutos no mesmo galho, sem mexer uma pena. Quem passa embaixo nem desconfia que ele está ali. Ele só se entrega quando troca de poleiro ou quando canta, um canto fundo e ritmado que atravessa a mata de manhã cedo.
Esse jeito quieto não é preguiça, é estratégia. Do poleiro, ele vigia tudo. Quando vê um besouro ou um gafanhoto, sai num voo curto, pega e volta. E quando o assunto é fruta, ele nem pousa direito: engole inteira, no voo mesmo. As sementes que ele engole viajam com ele e caem longe, e delas nascem árvores novas. A mata planta a mata, e ele é o carteiro.
Na época de namoro, acontece outra cena boa: vários machos se juntam pra cantar no mesmo canto da mata, um festival de vozes pra impressionar as fêmeas.
Essa foto fiz na trilha da cachoeira. Ele estava do jeito clássico dele: paradão num galho, a barriga amarela acesa no meio do verde.
Se um dia você ouvir um canto grave repetindo na mata e não achar o dono, olha devagar pros galhos do meio. Pode ser ele, imóvel, te olhando faz tempo.