Perereca-do-litoral
Ololygon littoralis
- Grupo
- Anfíbios
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Status de conservação
- Pouco preocupante (LC)
- Endêmica do Brasil
- Sim
- Endemismo regional
- Sim
- Fotografias
- 40
Essa perereca escolhe pra berçário justamente as poças que vão sumir. Depois da chuva, quando o chão da restinga enche de poças temporárias, o macho canta na vegetação baixa ali do lado, a fêmea desova naquela água nova, e os girinos crescem correndo contra o relógio, antes que a poça seque. Parece arriscado, mas é esperteza: em poça que aparece e desaparece não dá tempo de morar peixe nem outros predadores de girino.
A perereca-do-litoral é miudinha, coisa de dois centímetros e meio, com corpo fininho e focinho pontudo. A roupa é de camuflagem: tons de marrom-oliva e verde que somem no meio das folhas. Nas pontas dos dedos, as almofadinhas grudentas de toda boa escaladora.
E o nome dela não é enfeite: é do litoral mesmo. Só existe no Brasil, e só nessa faixa de mata e restinga colada no mar. O mundo inteiro dela é esse fiapo de costa verde, o que torna cada brejinho e cada poça daqui mais importante do que parece.
Essa foto fiz no caminho da praia, aqui em Maresias, numa noite depois da chuva, quando elas estavam animadas cantando.
Fica a dica: poça de chuva não é só barro, é maternidade. Da próxima vez que aparecer uma no quintal ou na beira da trilha, espia com respeito. Pode ter uma turminha de girinos ali, apostando corrida com o sol.