Saíra-ferrugem
Hemithraupis ruficapilla
- Grupo
- Aves
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Status de conservação
- Pouco preocupante (LC)
- Endêmica do Brasil
- Sim
- Endemismo regional
- Sim
- Fotografias
- 7
Sabe quantos países do mundo têm esse passarinho? Um. A saíra-ferrugem só existe na Mata Atlântica do Brasil. Cada uma que aparece por aqui é uma exclusividade nossa, um passarinho que o resto do mundo só conhece de fotografia.
E ela merece a viagem. O macho parece ter mergulhado a cabeça em ferrugem: cabeça e garganta num tom queimado, cor de brasa, sobre um corpo verde. Quando a luz da mata bate nele, a cabeça parece acesa. A fêmea escolheu a discrição, toda em verde-oliva, quase invisível entre as folhas, o que ajuda muito na época de cuidar do ninho.
O jeito dela é agitado. Pequena e rápida, vive lá em cima, nas copas, revirando folha por folha atrás de larvas e bichinhos miúdos, e beliscando frutinhas de sobremesa. E raramente anda só: costuma viajar nos bandos mistos, aquelas caravanas de espécies diferentes que varrem a mata juntas, cada uma caçando do seu jeito.
Essa foto fiz na rua de casa, aqui em Maresias. Ela desceu um pouco do andar de cima e me deu o instante da cabeça acesa.
Na época de filhotes, o casal esconde um ninho em forma de tacinha de fibras entre os galhos, bem disfarçado. E mesmo dependendo da mata, ela tem seu jogo de cintura: aceita capoeiras altas e matas em recuperação, desde que as copas se emendem umas nas outras, formando o corredor verde por onde ela viaja.
Olha pras copas de vez em quando. Um lampejo verde com a cabeça cor de brasa pode estar passando por cima de você agora mesmo, e só existe aqui.