Sapo-martelo
Boana faber
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À noite, perto de um brejo, dá para ouvir o som de alguém batendo martelo em ferro: toc, toc, toc, seco e alto. Não é gente. É o sapo-martelo chamando a fêmea.
E ele é pedreiro, além de ferreiro. O macho entra na beira da lagoa e, com as patas de trás e o corpo, levanta uma mureta redonda de barro, uma piscininha só dele, separada da água grande. Trabalha de noite, empurrando lama, e numa noite a obra fica pronta.
A fêmea escolhe o macho pela casa e pelo canto. Os ovos ficam boiando dentro da piscina de barro, protegidos dos peixes e dos outros bichos que vivem na lagoa. Quando chove forte, a parede se desmancha e os girinos saem para a água grande, já um pouco crescidos.
O macho defende a obra com unhas e dentes, ou melhor, com um espinho que ele tem na base do polegar. Dois machos brigando por uma piscina se agarram e se ferem com esse espinho, e a briga só termina quando um desiste.
É uma das maiores pererecas da nossa mata, do tamanho da palma da mão de uma criança, cor de folha seca, e passa o dia escondido na vegetação, quieto, esperando a noite.
Estas fotos são de setembro, à noite, aqui em Maresias.