Canthon
Canthon
- Grupo
- Insetos
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Fotografias
- 12
As duas primeiras fotos são a cena inteira: dois besouros azul-metálicos empurrando uma bola de esterco maior que eles, um de cada lado, no chão de terra. O de trás está de cabeça para baixo, com as pernas traseiras na bola e as dianteiras no chão, que é como esse grupo empurra.
Fotografei em setembro de 2020, em Maresias.
A bola não é comida do momento: é despensa e berçário. Eles moldam, rolam para longe do monte original para escapar da concorrência, enterram, e a fêmea põe um ovo dentro. A larva nasce já cercada de comida e sai dali adulta.
Rolar para longe é a parte difícil, e é onde acontece a coisa mais improvável. Besouros desse ofício precisam ir em linha reta, e para isso usam o céu: sol, lua e, em noite escura, a faixa clara da Via Láctea. Isso foi testado em experimento, com besouro de chapeuzinho tapando a vista, e a linha reta se perdia.
O trabalho deles é enorme e invisível. Enterrar esterco devolve nutriente ao solo, corta o ciclo de mosca e de verme parasita e areja a terra. Onde o grupo some, o pasto e a mata sentem.
No segundo encontro, em setembro de 2022, apareceu um besouro de aparência bem diferente, âmbar com a cabeça escura, numa folha. Pode ser outra espécie do mesmo gênero, pode ser outra coisa. É parte do motivo desta página parar no gênero.
Doze fotos, e as duas primeiras já valeriam a página sozinhas.