Chorozinho-de-Asa-Vermelha
Herpsilochmus rufimarginatus
- Grupo
- Aves
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Status de conservação
- Pouco preocupante (LC)
- Fotografias
- 18
Sabe o que o casal de chorozinho faz pra não se perder na mata? Canta em dueto. Um solta uma frase curta, o outro responde, e vão alternando, num ritmo certinho, enquanto cada um vasculha um canto da folhagem. É o jeito deles de dizer "estou aqui" sem parar de trabalhar. Na copa densa, onde quase não dá pra se ver, a música vira o fio que mantém os dois juntos.
O chorozinho-de-asa-vermelha é pequeno, uns 11 centímetros, magrinho e elétrico. O nome vem das margens das asas, tingidas de um vermelho-ferrugem que aparece quando ele se mexe. E ele se mexe o tempo todo: pula de raminho em raminho, vira folha, espia embaixo do galho, sempre catando insetos minúsculos, larvas e besourinhos.
Macho e fêmea dá pra distinguir pelo topo da cabeça: preto no macho, marrom-avermelhado na fêmea. Fora isso, os dois compartilham a barriga amarela e o mesmo jeito inquieto.
Eles vivem em casal, e adoram companhia: é comum o par se juntar aos bandos mistos que percorrem as copas, aquela caravana de espécies diferentes procurando comida juntas. No meio do bando, o casal segue colado, um de olho no outro, trocando as frases do dueto.
Na hora do ninho, tudo muda de tom: eles constroem uma bolsinha pequena e bem camuflada, presa numa forquilha fina, e ficam quietos e discretos por perto, pra não entregar o endereço dos filhotes a nenhum predador. O casal que cantava alto aprende a fazer silêncio.
Essa foto eu fiz no Perequê, em Ilhabela. Ouvi o dueto primeiro, lá no alto, e fiquei um bom tempo de pescoço torto até um dos dois aparecer entre as folhas.
Se você ouvir dois passarinhos conversando em frases curtas, um respondendo o outro no capricho, para e escuta: pode ser um casal de chorozinhos passando o dia juntos, cada um no seu galho.