Sapo-de-floresta

Rhinella ornata

Grupo
Anfíbios
Onde foi registrada
São Sebastião, Maresias
Status de conservação
Pouco preocupante (LC)
Endemismo regional
Sim
Fotografias
17

Quase todo sapo espera o calor e as chuvas do verão pra cantar. Esse aqui faz o contrário: o auge do canto dele é no frio, entre maio e outubro, com pico bem no meio do inverno. Enquanto a maioria dos brejos está em silêncio, o sapo-de-floresta está lá, na beira da água, chamando as fêmeas na contramão do calendário.

O nome científico dele, ornata, quer dizer enfeitado, e faz jus: o corpo robusto e verrucoso vem pintado de marrom e oliva com manchas escuras num padrão todo desenhado. Só que o enfeite é disfarce: no chão da mata, no meio do folhiço, ele simplesmente desaparece.

Como todo sapo da turma dos cururus, carrega atrás dos olhos duas glândulas grandes, as paratoides, que guardam uma toxina de defesa. Predador que tenta engolir aprende a lição. É o motivo de tanto sapo andar devagar e confiante: ele sabe que tem seguro.

O dia a dia dele é discreto e útil: ao entardecer e à noite sai pelo chão da floresta caçando insetos e outros bichinhos, fazendo o serviço silencioso de controlar as populações de invertebrados. Na época de reprodução, a fêmea deixa os ovos na água em longos cordões de gelatina, e dali saem os girinos.

Essa foto fiz numa trilha aqui em Maresias, quase pisando nele sem ver: só percebi porque uma "folha seca" resolveu dar um passo.

Então guarda essa: se no meio do inverno você ouvir um coro vindo do brejo, não estranha. É o time da contramão, cantando na estação em que quase ninguém canta.

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