Tamanqueiro

Alchornea glandulosa

Grupo
Plantas · árvore
Onde foi registrada
São Sebastião, Maresias
Status de conservação
Não avaliada (NE)
Fotografias
6

Quando essa árvore carrega, vira praça de alimentação da mata: sabiá, saíra, sanhaço, tangará, até tucano aparece. É chegando o fim do ano que ela enche, e aí é um entra e sai de asas o dia inteiro. Adoro ficar olhando o movimento quando ela carrega.

O nome dela conta uma história antiga: tamanqueiro. A madeira é leve e fácil de trabalhar, e antigamente virava tamanco, aquele calçado de sola de madeira. A árvore dos tamancos acabou ficando famosa mesmo é entre os passarinhos.

Ela gosta de pé molhado. Vive na beira dos rios e nas várzeas, aqueles terrenos baixos que alagam quando chove muito. E é aí que ela mostra do que é feita: depois de uma enchente, quando a margem fica revirada, o tamanqueiro é dos primeiros a brotar e crescer, rápido, refazendo a mata da beirada. Os estudiosos plantam ele de propósito quando querem recuperar uma mata de rio.

As flores são miudinhas e esverdeadas, sem nenhuma pompa, e os frutos se abrem soltando sementes pequenas. Na beira do rio, tem semente que cai na água e sai viajando na correnteza, indo colonizar outro trecho de margem rio abaixo. Passarinho espalha por cima, água espalha por baixo.

Essa foto fiz pertinho de casa, em Maresias. Se você quiser ver muita ave junta sem esforço nenhum, o truque é esse: descobre um tamanqueiro carregado, senta por perto e espera. A mata inteira vem até você.

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