Paineira
Ceiba speciosa
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Ela tem um tronco cheio de espinhos grossos. E verde. Verde de verdade: a casca da paineira nova faz o que as folhas fazem, aproveita a luz do sol para se alimentar, e por isso o tronco fica dessa cor por anos, até ir ficando cinza com a idade. Os espinhos em forma de cone são a defesa dela contra bicho que quer subir.
Com o tempo o tronco engorda no meio, como uma barriga, e é daí que vem um dos nomes dela: barriguda. Ali dentro ela guarda água para atravessar o tempo seco.
A flor é grande, rosa, com cinco pétalas abertas e o miolo creme, e ela abre quando a árvore já derrubou as folhas: a copa inteira vira só flor. Beija-flor, borboleta e morcego vêm buscar o néctar, e vão levando o pólen de uma árvore para a outra.
Depois vem a parte que dá o nome principal. O fruto é uma cápsula verde e comprida que seca, se abre e solta uma nuvem de paina, uma seda branca e macia que envolve as sementes. O vento faz o resto, carrega os flocos para longe, e a paina que sobrava no chão já encheu muito travesseiro e muito colchão antigamente.
Fotografei esta em setembro, aqui em Maresias, em flor, fora da época de costume dela, que é o fim do verão e o outono.