Tiê-sangue
Ramphocelus bresilius
- Grupo
- Aves
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Status de conservação
- Pouco preocupante (LC)
- Endêmica do Brasil
- Sim
- Endemismo regional
- Sim
- Fotografias
- 49
Uma brasa acesa atravessou a mata voando. É assim que o tiê-sangue aparece: um vermelho tão vivo, tão inteiro, que o resto da paisagem parece apagar por um instante. Só as asas e a cauda são pretas, como se o fogo tivesse deixado um pouco de carvão nas pontas.
Não é à toa que ele virou uma das aves símbolo da Mata Atlântica. E os apelidos que o povo deu contam a mesma história: sangue-de-boi, tiê-fogo, tapiranga. Todo mundo que vê pensa em fogo ou em sangue.
Mas olha que curioso: só o macho é assim. A fêmea é parda, com uns tons avermelhados bem discretos. E faz sentido, porque cada um tem a sua função: ele chama a atenção, ela fica quase invisível quando está no ninho, uma tigelinha que o casal arma num arbusto baixo.
O prato preferido deles é fruta, e a paixão são os frutinhos da embaúba, aquela árvore de folhas grandes que parece uma mão aberta. Também comem insetos, e em quintal com bananeira ou comedouro eles chegam sem muita cerimônia, em grupos pequenos, às vezes misturados com outros passarinhos.
Tanta beleza já custou caro: o tiê-sangue foi muito capturado pra viver em gaiola, e ainda perdeu muita da mata da beira do mar onde gosta de viver. Mas ele é teimoso no bom sentido: se aceita bem em capoeiras e pomares, e onde tem fruta ele volta.
Esse da foto apareceu no caminho da praia, aqui em Maresias. Por aqui ele é vizinho.
Fruta no pé é convite. Se um dia uma brasa dessas pousar no seu quintal, você vai entender por que deram a ele o nome de sangue.