Sapos
Anura
- Grupo
- Anfíbios
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Fotografias
- 7
Sapo não bebe água pela boca. Nunca. Nem sapo, nem rã, nem perereca. Quando um deles está com sede, senta num lugar úmido e "bebe" pela barriga: tem uma região especial de pele na parte de baixo do corpo que funciona como esponja, puxando a água do chão molhado, da folha, da poça. É literalmente beber sentado.
E a pele deles tem ainda outro truque: respira. Além dos pulmões, sapos, rãs e pererecas trocam ar direto pela pele fina e úmida, coberta por aquele muco que faz todo mundo dizer que sapo é "melequento". A meleca é um equipamento de sobrevivência.
Sapo, rã e perereca, aliás, são todos parentes da mesma grande família de anfíbios, os anuros, palavra que quer dizer "sem cauda". Grosso modo: sapo é o parrudo de pele rugosa que anda mais do que pula, rã é a atleta de pernas compridas que vive perto d'água, e perereca é a escaladora de dedos grudentos que sobe em folha, vidro e parede.
Quase todos começam a vida do mesmo jeito mágico: ovo na água, depois girino nadador com cauda e sem pernas, e então a metamorfose, quando o corpo inteiro se transforma e o bichinho d'água vira um bichinho de terra. É uma borboleta em versão anfíbia, acontecendo em qualquer poça de chuva.
Essa pele que bebe e respira tem um preço: ela absorve tudo, inclusive poluição. Por isso os anfíbios são os primeiros a desaparecer quando a água e a mata adoecem, e os primeiros a avisar, com o silêncio deles, que algo vai mal. Onde tem coro de sapo cantando à noite, a natureza está funcionando.
Essa foto fiz aqui em Maresias, onde por sorte esse coral ainda é barulhento. Numa noite chuvosa de verão, é um festival: cada espécie com sua voz, cada voz no seu horário.
Aquele barulhão, então, é isso: uma multidão que já trocou de corpo uma vez na vida, bebe sentada e canta pra achar seu par. Quanto mais escandaloso o coro, melhor a notícia.