Arapaçu-de-garganta-branca
Xiphocolaptes albicollis
- Grupo
- Aves
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Status de conservação
- Pouco preocupante (LC)
- Endemismo regional
- Sim
- Fotografias
- 21
Tem um passarinho na mata que passa o dia chamando por uma tal de Luzia. O canto do arapaçu-de-garganta-branca é uma série de assobios fortes que soam como "luzia, luzia, luzia", descendo devagarinho, e alcança longe, principalmente no nascer e no pôr do sol. O povo ouviu, achou parecido e pronto: ele ganhou até apelido, arapaçu-luzia.
O jeito dele de viver é escalando. Sobe pelos troncos como um alpinista, agarrado com as unhas e escorado na cauda firme, que funciona feito uma terceira perna. Vai subindo e enfiando o bico comprido e curvo nas frestas da casca, atrás do que estiver escondido ali.
O cardápio é dos mais variados: insetos graúdos, caramujos que vivem nas árvores, um bicho pequeno aqui e ali. E de vez em quando ele apronta: rouba ovos dos ninhos que outras aves fazem dentro dos ocos das árvores.
Esperto, ele também segue as formigas-de-correição, aqueles exércitos de formigas que varrem o chão da mata. Enquanto as formigas assustam a bicharada, o arapaçu fica de tocaia, pegando quem tenta fugir. E ainda viaja com os bandos mistos, turmas de passarinhos de várias espécies que atravessam a mata juntas.
É um dos maiores arapaçus da Mata Atlântica, quase trinta centímetros, com a garganta branca bem marcada no corpo marrom e a cauda cor de ferrugem.
Essa foto fiz na Paúba, aqui em São Sebastião, com ele agarrado num tronco, do jeito que passa a vida.
Amanhã cedinho, se um assobio forte atravessar a mata chamando "luzia, luzia", você já sabe quem procura por ela.