Rendeira
Manacus manacus
- Grupo
- Aves
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Status de conservação
- Pouco preocupante (LC)
- Fotografias
- 12
Um estalo seco na mata, depois outro, como estalinho de festa junina. Não é galho quebrando: é a rendeira estalando as asas. Ela tem penas e músculos modificados só pra isso, pra produzir esse "toc" alto que se ouve a vários metros. Um passarinho que veio de fábrica com instrumento embutido.
E o estalo é só o começo do show. O macho da rendeira prepara um verdadeiro salão de baile no chão da mata: escolhe um pontinho, varre as folhas, deixa o piso limpinho e mantém tudo arrumado. Nesse palco, ele dança: saltos curtíssimos entre os galhinhos, estalos, piruetas ensaiadas. Vários machos montam seus salões pertinho uns dos outros, cada um dançando no seu.
E pra quem é tanto espetáculo? Pras fêmeas. Elas passeiam entre os salões, assistem às apresentações e escolhem o melhor dançarino. Depois da escolha, a fêmea faz tudo sozinha: constrói o ninho, choca os ovos e cria os filhotes, sem ajuda nenhuma do artista.
Os dois nem parecem da mesma espécie: o macho é preto com a garganta e o peito branquíssimos, um contraste que reluz nas clareiras. A fêmea é verde-oliva, camuflada de propósito, perfeita pra passar despercebida cuidando do ninho.
No dia a dia, a rendeira vive de frutinhas, e vai espalhando as sementes pela mata, plantando sem saber as árvores de amanhã.
Eu estava sozinho na mata, na trilha da cachoeira, quando fiz essa foto. Ouvi o estalo antes de ver o dançarino, que é como a rendeira gosta de ser encontrada.
Se um dia a gente ouvir esses estalos no meio do mato, para e espera: pode ter um baile acontecendo a poucos passos, num salãozinho varrido com todo o capricho do mundo.