Taturana oblíqua
Lonomia obliqua
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Esta mariposa que parece uma folha seca é a fase adulta de uma das lagartas mais perigosas do Brasil: a taturana-oblíqua. A lagarta tem cerdas que, ao encostar na pele, injetam um veneno capaz de causar sangramento por todo o corpo, e o único tratamento é um soro específico, feito pelo Instituto Butantan. Por isso vale saber reconhecer a lagarta: ela é marrom-esverdeada, cheia de espinhos ramificados, e fica em grupo, encostada no tronco das árvores durante o dia.
A mariposa, não. A adulta não tem cerdas, não pica e não tem veneno. Ela nem se alimenta: sai do casulo com uma única tarefa, encontrar um parceiro e deixar os ovos, e vive só os poucos dias que isso leva. A fêmea põe os ovos no tronco das árvores; delas nascem as lagartas, que vivem juntas, descem para virar pupa no folhiço e, meses depois, viram outra mariposa que parece folha. Enquanto espera a noite, ela passa o dia parada, fingindo ser uma folha caída: cor de folha morta, uma linha escura no meio como se fosse a nervura, a ponta estreita e até as manchinhas de folha velha.
Esta entrou dentro de casa, aqui em Maresias, em setembro. Dentro de casa uma mariposa dessas não encontra parceiro nem árvore para os ovos, então a levamos com cuidado, na palma da mão, até a mata ali perto, para que ela pudesse terminar o ciclo dela. A foto é desse caminho. Segurar a mariposa é seguro; a lagarta, nunca.
Quando o assunto é taturana, a regra em casa é simples: viu uma lagarta espinhenta no tronco, não encosta, chama um adulto e sai de perto.