Cabeçudo
Leptopogon amaurocephalus
- Grupo
- Aves
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Status de conservação
- Pouco preocupante (LC)
- Fotografias
- 18
O ninho desse passarinho parece uma bolsa pendurada no galho. Ele tece uma sacola de fibras e musgo, fechada, presa entre ramos finos, tão bem disfarçada que parece só um tufo de mato esquecido ali. Uma obra de engenharia em miniatura, feita com bico.
O dono da obra é o cabeçudo, um passarinho miúdo da mata que ganhou esse nome pela cabeça que parece grande demais pro corpo. Ele tem a coroa marrom, o dorso verde-oliva, a barriga amarelada e uma marca clara em volta dos olhos, como se usasse óculos.
É um bicho discreto. Vive na parte de baixo da mata, entre a sombra e as folhas, sempre em posição de sentinela: parado, ereto, mexendo depressa a cauda e as asas enquanto examina tudo. Quando enxerga um inseto numa folha, voa curto, arranca a presa e volta.
E ele gosta de companhia. De vez em quando entra nos bandos mistos, aquelas caravanas de passarinhos de várias espécies diferentes que atravessam a mata juntos, cada um caçando do seu jeito, todos se aproveitando do movimento dos outros.
Essa foto eu fiz no Perequê, em Ilhabela. Ele apareceu num ramo baixo, naquela pose atenta, e me deu alguns segundos antes de sumir de novo na folhagem.
Agora, quando você passar por uma mata e vir uma bolsinha de musgo balançando num galho fino, olha com respeito. Alguém muito pequeno construiu aquilo sem usar as mãos.