Jacuaçu
Penelope obscura
- Grupo
- Aves
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Status de conservação
- Pouco preocupante (LC)
- Fotografias
- 44
O jacuaçu toca tambor. Sem tambor. De manhã cedo, num voo de exibição entre as árvores, ele rufla as asas com tanta força que as penas produzem um som de tamborilada, seco e forte, ecoando pela mata. Quem ouve uma vez não esquece: dá pra saber que o jacuaçu está lá só pelo barulho, sem ver o bicho.
E o bicho é grande. Quase setenta centímetros, chegando a um quilo: uma das maiores aves da nossa mata. A plumagem é marrom-escura com um desenho de escaminhas claras no pescoço e no peito, e na garganta ele guarda uma barbela avermelhada, uma pelezinha solta que aparece quando ele se anima. Um detalhe pra olho bom: o olho do macho é vermelho, o da fêmea é castanho-claro.
Apesar do tamanho, ele se move pelos galhos com uma agilidade que surpreende, quase sempre em dupla ou em grupinho discreto, sumindo e aparecendo entre as folhas.
O trabalho dele na floresta é dos mais importantes. O jacuaçu passa o dia percorrendo as copas atrás de fruta, e engole muitas inteiras, com semente e tudo. A semente viaja na barriga dele e sai do outro lado, longe da árvore-mãe, prontinha pra nascer. Ou seja: o jacuaçu planta floresta sem saber. E tem uma árvore que agradece em especial: a palmeira juçara, a do palmito, que depende muito dele pra espalhar as sementes.
Nem tudo foi fácil pra ele. Por ser grande, foi muito caçado, e por isso em muitos lugares ficou arisco, desconfiado da gente. Onde a mata é protegida ele vai voltando a ficar mais tranquilo, e ver um grupo cruzando entre as copas é sinal de floresta viva.
Esse da foto encontrei na trilha da cachoeira, aqui em Maresias.
Da próxima madrugada de mata, ouvido ligado: se vier uma tamborilada do meio das árvores, não é gente. É o tambor do jacuaçu.