Sabiá-una
Turdus flavipes
- Grupo
- Aves
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Status de conservação
- Pouco preocupante (LC)
- Fotografias
- 21
O sabiá-una é um imitador profissional. No meio do canto dele, de repente, entra o canto de outro pássaro. E depois de outro. Os pesquisadores que estudaram esse sabiá já contaram imitações de 23 espécies diferentes misturadas na cantoria. Às vezes a imitação sai meio atrapalhada, e fica difícil até saber quem ele está tentando copiar, mas ele segue tentando, emendando uma voz na outra.
E não é só imitação: o repertório próprio dele é gigantesco. Num estudo sobre o canto dessa espécie, os cientistas registraram mais de 1.500 sílabas diferentes, com cada macho dominando uma centena delas. É um dos cantos mais variados das nossas matas, cheio de assobios flautados que sobem e descem.
O visual acompanha o talento. O macho é todo preto, um preto brilhante, e sobre esse fundo escuro acendem três detalhes amarelos: o bico, as pernas e um anel fino ao redor do olho, como se ele usasse óculos dourados. A fêmea é parda e discreta, do jeito que a mata gosta.
Ele tem também um costume curioso: sobe e desce a serra conforme a época do ano. Na estação fria, deixa as partes altas da montanha e desce pra onde está mais quente e tem mais fruta. Quando esquenta, sobe de novo. Um viajante que migra na vertical, sem sair da mesma serra.
No dia a dia, ele fica nos andares do meio e de cima da mata, comendo frutas e bichinhos. É meio arisco, mas quando uma árvore está carregada ele esquece a timidez e aparece.
Essa foto foi na trilha da cachoeira, aqui em Maresias. Primeiro veio o canto, aquele assobio ensaiando vozes. Depois ele apareceu.
Se um dia você ouvir um canto bonito demais na mata e não conseguir decidir que pássaro é, presta atenção. Pode ser que não seja um pássaro. Pode ser o sabiá-una sendo vários.