Moscas-de-pernas-longas
Condylostylus
- Grupo
- Insetos
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Paúba
- Fotografias
- 4
Antes de acasalar, o macho dessa mosca dança para a fêmea. Ele fica de frente para ela em cima da folha e levanta as pernas dianteiras, abrindo e fechando, acenando, num vaivém repetido. Em várias espécies desse grupo as pernas do macho têm enfeites, tufos de pelo ou pedaços achatados como uma bandeirinha, e é isso que ele balança. Ela assiste. Se não gostar, vai embora.
E ela é predadora. Essa mosca não vive de lixo nem de fruta podre: caça bicho vivo e minúsculo em cima das folhas, aqueles pontinhos que se mexem e que a gente nem enxerga. Anda em corridas curtas, para de repente, corre de novo, sempre de olho.
O corpo é verde metálico brilhante, com uma fileira de pontos amarelos descendo pelas costas, e as asas transparentes têm manchas escuras que parecem fumaça. As pernas são compridas e finas como fio, e é delas que vem o nome do grupo.
Aquele verde não é tinta. Vem de camadas microscópicas na casca que separam a luz, o mesmo princípio da bolha de sabão, e é por isso que ele muda de tom conforme o ângulo.
Fotografei em setembro de 2022, na Paúba, numa folha larga cheia de manchas de líquen. São quatro fotos, e em todas ela está no mesmo palmo de folha.
Este gênero tem mais de cento e dez mil registros no iNaturalist, o que faz dele um dos mais comuns do acervo inteiro. Comum e quase invisível: é do tamanho de um grão de arroz e passa a vida na altura do joelho de quem anda pela mata.