Tabernaemontana
Tabernaemontana
- Grupo
- Plantas
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Fotografias
- 5
Quebra um galho dessa árvore e sai leite. Branco, grosso, pegajoso, escorrendo do corte como se a planta estivesse sangrando da cor errada.
É látex, e todas as árvores desse grupo têm. Serve de defesa: o bicho que morde uma folha dessas leva uma boca cheia de cola e desiste do almoço.
A flor é discreta e bonita. Cinco pétalas brancas que saem tortas, uma montada na outra, como um cata-vento que parou de girar. Nascem em grupos na ponta dos galhos, e é fácil passar batido por elas na mata.
O melhor vem no fruto, e o fruto é um espetáculo em dois atos. Primeiro aparecem dois frutos gêmeos, lado a lado, saindo do mesmo ponto e se curvando pra fora como um par de chifres. Depois, quando amadurecem, eles se abrem sozinhos.
E aí a árvore faz o contrário do que a gente espera. Em vez de esconder as sementes, ela mostra: por fora o fruto é amarelo-alaranjado, mas por dentro cada semente vem embrulhada num vermelho vivo, brilhando contra o verde escuro da folha. É propaganda pura, pintada bem na cor que passarinho enxerga de longe.
Funciona. Nas leiteiras que crescem por aqui, a fruta aberta é das mais disputadas pelas aves: sabiá, bem-te-vi e sanhaço chegam pra comer o vermelho, engolem a semente junto e largam ela em outro canto da floresta.
Cabe o aviso: essa página é do gênero inteiro, um grupo grande de árvores e arbustos parecidos, e o que está aqui vale pra eles como grupo.
Essa foi na trilha da cachoeira, aqui em Maresias.
Uma árvore que sangra leite quando você machuca e abre a mão quando amadurece.