Sabiá-coleira
Turdus albicollis
- Grupo
- Aves
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Status de conservação
- Pouco preocupante (LC)
- Fotografias
- 2
Esse sabiá tem um truque de caçada que parece coisa de filme: ele segue exércitos de formigas. Quando as formigas-de-correição saem marchando pelo chão da mata, todo bichinho que estava escondido sai correndo desesperado na frente delas. E o sabiá-coleira vai junto, pegando os insetos e aranhas que fogem da tropa. As formigas fazem o trabalho pesado, ele fica com o lanche.
Ele é o sabiá da mata fechada. Enquanto os primos famosos cantam no quintal e no poste, esse prefere o interior sombreado da floresta, revirando o folhiço do chão, discreto. A marca dele é a coleira: uma meia-lua branca no peito, embaixo da garganta toda riscadinha de preto.
O canto também é de outro jeito: baixinho, macio, comprido, umas frases que vão se emendando sem pressa, quase uma conversa consigo mesmo. É a trilha sonora do começo da manhã na mata.
E como todo sabiá que se preze, ele ama fruta. Palmeiras, embaúbas, pimentinhas do mato, amoras: vai comendo e espalhando as sementes pelo caminho, e delas nascem plantas novas. O sabiá come da mata e devolve mata.
Essa foto fiz aqui em Maresias. Era cedo, um canto suave vinha do fundo do terreno, e a Déia perguntou: que sabiá é esse cantando diferente? Era ele, o da coleira, dando o ar da graça fora da mata.
O sabiá famoso canta no poste, pra rua inteira ouvir. Esse canta pra dentro do mato, quase em segredo. É o tímido da família: quem quiser conhecer, procura a meia-lua branca no peito e escuta baixinho também.