Besouro-Anúbis
Megasoma anubis
- Grupo
- Insetos · besouro
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Status de conservação
- Não avaliada (NE)
- Fotografias
- 8
Existem 121 registros conhecidos desse besouro no mundo inteiro, e só três deles são de São Sebastião. Este é um.
Ele é um besouro-rinoceronte que não tem chifre, e isso tem explicação. No grupo dele o chifre é peça só do macho, que a usa como alavanca para erguer e virar os rivais nas brigas por uma fêmea. O da foto tem a cabeça lisa, então é uma fêmea: as costas cor de mel, cobertas por um veludo curtinho, o pescoço e a cabeça pretos e polidos, e as pernas terminando em garras que agarram casca de árvore.
O gênero dele se chama Megasoma, que quer dizer corpo grande, e reúne alguns dos maiores besouros do planeta. O anubis é só do Brasil, vive no Sudeste, no Sul e em Goiás, e depende de floresta em pé. Onde a mata cai, ele desaparece, e por isso vira um bom termômetro: mata que ainda tem besouro-anúbis é mata bem conservada.
A parte mais longa da vida dele acontece escondida no chão. A larva come tronco caído em decomposição e leva até três anos para virar besouro adulto. Quando finalmente sobe à superfície, procura seiva, que consegue cortando galhos finos com as pernas da frente cruzadas como uma tesoura, e o suco de frutas maduras caídas.
Fotografei em 10 de setembro de 2020, em Maresias. Ele estava parado no meio da rua, onde o primeiro carro passaria por cima, então ofereci um galho, ele subiu sozinho e eu o levei até um lugar seguro, longe da passagem. A banana que aparece ao lado dele em duas fotos era a minha, e eu a coloquei ali só para dar ideia do tamanho, porque em foto sozinha ninguém acredita: do lado dela dá para ver o besouro que ele era.
Se você encontrar um besouro grande e escuro caminhando devagar numa trilha, olhe a cabeça antes de qualquer coisa. Chifre curvo é macho. Cabeça lisa como a desta é fêmea, e uma fêmea andando pelo chão costuma estar procurando tronco podre para deixar os ovos.
Fontes: ((o))eco, Megasoma anubis, o besouro rinoceronte; registro da espécie no Parque Estadual Carlos Botelho (Entomology Beginners, 2024); revisão do grupo Megasoma gyas (ZooKeys, 2020); contagem de registros no iNaturalist.