Bromélia-tocha
Billbergia pyramidalis
- Grupo
- Plantas · bromélia
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Status de conservação
- Não avaliada (NE)
- Fotografias
- 8
Quando essa bromélia floresce, parece que alguém acendeu uma tocha no meio do mato. Do centro da planta sobe um tufo compacto de folhas vermelhas ardendo, e das pontas saem flores com bordas arroxeadas, azuladas, às vezes quase brancas. Não é à toa que o apelido dela por aqui é tocha-flamejante.
O corpo da planta é um funil. As folhas são duras, com serrinha nas bordas, e crescem encaixadas de um jeito que a chuva escorre pra dentro e fica presa lá no fundo. Esse pouquinho de água parada vira criadouro: larva de inseto, bicho miúdo de água e às vezes girino de perereca crescendo a metros do chão, num berçário que a planta nem sabe que ofereceu.
Ela tem dois endereços possíveis e usa os dois sem cerimônia. Cresce em cima de tronco de árvore, sem tirar nada da árvore, só pegando carona, e cresce também no chão, inclusive em areia de restinga e em clareira de mata onde bate luz filtrada.
O vermelho todo daquela tocha é propaganda dirigida. As bilbérgias, o grupo dela, têm flores compridas e néctar ralo, do feitio que agrada beija-flor de bico longo. Depois da flor vem o fruto carnudo, e aí quem chega são os pássaros, que comem e saem espalhando semente pela mata.
Ela também é teimosa no bom sentido: floresce com regularidade, brota filhote do lado do pé velho e forma touceira. Na jardinagem ganhou fama de planta à prova de falhas. Só que ver uma dessas florida no meio do mato, sem ninguém ter plantado, é outro assunto.
Essa foi aqui em Maresias, num fim de abril. O Kaian viu o vermelho de longe e me chamou: pai, vem ver.
Vermelho no meio de tanto verde nunca é por acaso. Alguém está sendo chamado, e não somos nós.