Calendário naturalista de Outubro

Outubro é primavera cheia: chove de novo, esquenta, e a flor do mês passado começa a virar fruta. O coro dos sapos recomeça à noite, cada um com um canto diferente para não se confundirem no escuro.

Insetos

O olho-de-coruja abre as asas e mostra duas manchas redondas que parecem olhos grandes, e é isso que assusta quem ia bicá-lo. Ele voa no fim da tarde e procura fruta caída, não flor. A asa-de-vidro leva a asa transparente e some contra o fundo da mata.

Plantas

A pitanga, a uvaia e a grandiúva estão com fruto. O amarílis abre a flor vermelha grande direto do bulbo, quase sem folha em volta. A orquídea-vespa tem a flor parecida com um inseto, e é assim que ela engana o polinizador.

Aves

A saí-andorinha chega agora, azul brilhante, e caça inseto no ar como andorinha. O sabiá-barranco canta forte na primavera, e é o canto que se ouve de dentro de casa no fim da tarde.

Fungos

Com a chuva de primavera o cogumelo volta em quantidade. A orelha-de-pau-gelatinosa murcha e vira quase nada quando seca, e incha de novo na chuva seguinte, como se voltasse do zero.

Aracnídeos

A lissomanes é verde-clara e transparente, e dá para ver os olhos dela se mexendo por dentro da cabeça enquanto ela olha em volta. A aranha-dos-juncos é comprida e fina e se estica junto ao capim, virando quase um fio.

Anfíbios

Com a chuva o brejo enche e o coro recomeça à noite, cada espécie com um canto diferente para não se confundirem. A perereca-de-moldura é pequena e cor de palha, e canta na beira da água parada.

Répteis

O teiú sai da moita depois de passar os meses frios quase sem se mexer, e volta a andar pelo chão farejando com a língua. A cobra-cipó continua nos galhos, fina e verde.

Mamíferos

O caxinguelê é o esquilo daqui. Ele enterra semente e esquece onde deixou boa parte delas, e é assim, esquecendo, que ele planta árvore sem querer.

Peixes

O frade é achatado e alto, quase redondo, e anda devagar entre as pedras. Quando filhote ele tem outra cor, listrado de amarelo, e muda tudo ao crescer.

Moluscos

O boné-escocês tem a concha grossa e enterra o corpo na areia do fundo, deixando de fora só um tubinho para respirar.

_orquideas

A orquídea-vespa e a orquídea-da-praia estão floridas. A orquídea-da-praia é alaranjada e cresce na restinga aberta, agarrada na areia e no arbusto baixo, onde bate sol o dia inteiro.

_frutas

A flor está no auge e a fruta volta junto: pitanga, uvaia, cereja-do-rio-grande e grandiúva amadurecem. A aroeira-pimenteira floresce, e a flor dela é procurada pelas abelhas nativas sem ferrão, que fazem mel dentro de tronco oco.

Crustáceos

Em outubro é provável ver a craca-de-pescoço. Ela não vive na pedra: gruda em pau que boia, em casco de barco, em qualquer coisa à deriva, e chega à praia junto com o que o mar traz.

Cnidários

A anêmona parece flor, mas é bicho. Quando a maré baixa ela recolhe os braços e vira uma bolinha de gelatina grudada na pedra, para não secar ao sol.

Equinodermos

O pepino-do-mar limpa a areia do fundo: engole o sedimento, aproveita o que tem de comida e devolve o resto peneirado.

por_do_sol

Em outubro o sol desce a cada tarde mais perto do mar, e o arrebol ainda toma o céu atrás da serra nos dias limpos.

_cores

Em outubro o guapuruvu ainda enche a serra de amarelo-ouro, altíssimo e sem folhas, e logo depois brota o verde. Na mata alagada, a caixeta continua em flor.

Registrado em outubro

Fechar × ‹ ›