Crossodactylus
Crossodactylus
- Grupo
- Anfíbios
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Fotografias
- 5
Rã que trabalha de dia é raridade, e as desse grupo são das poucas. As rãzinhas do grupo Crossodactylus vivem nos riachos de montanha da Mata Atlântica e ficam ativas com o sol alto, pulando entre pedras e remansos enquanto quase todos os parentes dormem esperando a noite.
São pequenas e discretas, cor de pedra e de folha molhada, sempre coladas na água corrente. Dessa família de rãs de riacho, os cientistas dizem que são "reofílicas", palavra difícil pra uma ideia simples: são apaixonadas por correnteza.
Morar do lado de uma correnteza, porém, tem um problema: o barulho. A água não para de rugir, e cantar ali é como conversar dentro de um show. Por isso, nas rãs de riacho dessa família, a conversa não é só cantada: elas também usam sinais visuais, movimentos do corpo e das pernas que funcionam como gestos, um jeito de se comunicar quando a voz não alcança.
Sobre cada espécie do grupo em particular ainda se sabe pouco, e é bem possível que esses riachos guardem segredos que ninguém estudou. O que se sabe é o essencial: elas dependem de água limpa, fria e corrente, com mata fechada em volta. Riacho sujo, rã sumida.
Essa foto fiz subindo um riacho aqui em Maresias, pisando de pedra em pedra, quando ela se mexeu bem na frente do meu pé.
Fica a lição dessas miudinhas: quando o mundo é barulhento demais, a gente inventa outro jeito de conversar.