Perereca-de-focinho-de-Hay
Scinax hayii
- Grupo
- Anfíbios
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Status de conservação
- Pouco preocupante (LC)
- Endêmica do Brasil
- Sim
- Endemismo regional
- Sim
- Fotografias
- 3
Sabe por que essa perereca não cai nunca? Cada dedo dela termina num disco que gruda, uma ventosa de verdade. Com isso ela sobe em folha, galho, tronco liso, e até em vidro de janela, como quem caminha no chão.
Foi assim que a gente conheceu essa daqui: grudada no vidro, numa noite aqui em Maresias. O Kaian me chamou: pai, vem ver. E lá estava ela, parada, mostrando a barriga pra gente do outro lado da janela.
De dia é quase impossível achar uma. A cor dela vai do marrom ao verde-oliva, cheia de manchas, e ela fica imóvel na vegetação, fingindo que é parte do galho. O focinho comprido e pontudo dá ao rosto um perfil todo especial: parece que ela está sempre apontando pra frente.
A vida de verdade começa quando o sol se põe. Os machos sobem na vegetação perto da água e começam a cantar, chamando as fêmeas. Os ovos ficam grudados nas plantas debaixo d'água, em poças e lagoinhas calmas, e ali os girinos crescem até virarem pererecas.
E olha que ela não é fresca: essa perereca é da Mata Atlântica, mas aprendeu a viver perto da gente. Um brejinho, um açude, uma lagoa de jardim, pra ela já serve de berçário. Só não abre mão de água limpa e de umas plantas na beirada.
Numa noite quente, depois da chuva, presta atenção nos cantos vindo da água. Pode ser ela. E se aparecer uma visita grudada na sua janela, já sabe: não é mágica, é ventosa.