Garça-vaqueira
Ardea ibis
- Grupo
- Aves
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Status de conservação
- Pouco preocupante (LC)
- Fotografias
- 13
Essa garça arrumou um emprego curioso: seguir boi. Onde o gado anda, ela vai atrás, pertinho do casco, esperando. É que o boi, só de caminhar, espanta grilos, gafanhotos e besouros do capim. Os bichinhos pulam pra escapar do casco e caem direto no bico dela. O boi trabalha de espantador sem saber, e a garça almoça sem esforço.
E ela retribui: de vez em quando sobe a cobrança e tira carrapatos direto do lombo do boi. Um ajuda o outro, mesmo sem ninguém ter combinado nada.
Agora a parte mais impressionante: essa garça nem era daqui. Ela veio do outro lado do oceano, e atravessou por conta própria, voando, sem ninguém trazer. Foi chegando nas Américas ao longo do século passado e se espalhou tanto que hoje está em quase todo canto onde tem campo aberto. Uma viajante que deu certo demais.
Quase o ano todo ela é branquinha, com bico e pernas amarelados. Mas na época de fazer ninho ela se enfeita: a cabeça, o peito e as costas ganham um tom dourado-alaranjado, como se tivesse passado num pó de ouro.
No fim da tarde, elas se juntam aos montes numa mesma árvore pra dormir, um dormitório coletivo cheio de pontos brancos. Aqui perto de casa foi o Kaian quem viu primeiro: um monte de garças espalhadas no gramado, todas concentradas, cada uma esperando seu gafanhoto.
Quando você vir um campo com gado, ou até um trator cortando grama, repara nas garças brancas logo atrás. Elas descobriram faz tempo que quem anda com gente grande não passa fome.