Garrinchão-de-bico-grande
Cantorchilus longirostris
- Grupo
- Aves
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Status de conservação
- Pouco preocupante (LC)
- Endêmica do Brasil
- Sim
- Endemismo regional
- Sim
- Fotografias
- 22
Sabe o que o garrinchão-de-bico-grande faz de melhor? Cantar em dupla. O casal canta junto, em dueto, uma combinação de assobios altos e melodiosos que atravessa a moita. E ele é famoso por variar: tem um repertório enorme de sons, tanto de canto quanto de chamado, como se nunca cansasse de inventar música nova.
Agora, ver o dono da voz é outra história. Ele vive escondido no meio das moitas fechadas, correndo por baixo dos galhos, e quase sempre a gente ouve muito antes de enxergar. Uma sombra castanha se mexendo na parte escura da vegetação.
Quando aparece, dá pra reconhecer fácil: o bico é comprido e um pouco curvado pra baixo, feito sob medida pra fuçar em emaranhado de galho, folha seca e casca de árvore atrás de insetos e outros bichinhos. O corpo é castanho-avermelhado por cima, claro por baixo com riscos finos, uma sobrancelha clara no rosto e a cauda levantada, do jeito dos garrinchões.
Aqui no litoral ele gosta da restinga, aquela mata baixa e fechada que cresce na areia, perto da praia. É lá que ele corre, canta e esconde o ninho, bem guardado no fundo da moita, longe dos olhos de quem passa.
Essa foto fiz na rua de casa, em Maresias. Ele saiu da moita por um instante, o suficiente.
Quando você ouvir um assobio forte vindo do mato baixo, e logo outro respondendo na mesma hora, para e escuta: pode ser um casal de garrinchão cantando a música dos dois.