Pintadinho
Drymophila squamata
- Grupo
- Aves
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Status de conservação
- Pouco preocupante (LC)
- Endêmica do Brasil
- Sim
- Endemismo regional
- Sim
- Fotografias
- 14
O pintadinho só existe no Brasil. Em lugar nenhum mais do mundo. E não é só isso: ele só existe na Mata Atlântica, essa mesma mata que a gente vê da janela. Se um dia ela sumir, ele some junto.
O nome é honesto: ele é todo pintadinho mesmo. Cada pena tem uma bordinha clara, e o conjunto vira um bordado de escamas pelo corpo inteiro. O macho é preto com pintas brancas, bem marcadas. A fêmea é castanho-avermelhada com pintas amareladas, tão diferente que parece outra espécie. Quando o casal cruza um feixe de luz na mata, é um espetáculo em dose dupla.
Eles vivem juntos, em pares, sempre pertinho do chão, no meio das moitas, das taquaras e dos emaranhados de cipó. Ali vão catando insetos nas folhas secas e nos galhos baixos, garimpando o dia inteiro. O canto é um trinado rápido e insistente que atravessa o mato como um zumbido: muitas vezes você ouve o pintadinho bem antes de ver.
E tem uma coisa bonita nele: os pesquisadores usam esse passarinho como sinal. Onde o pintadinho aparece, é porque a parte de baixo da mata ainda está viva, cheia de esconderijos e de comida. Ele é uma espécie de atestado de saúde da floresta.
Essa foto fiz no caminho da praia, aqui em Maresias, onde a restinga ainda guarda esses emaranhados que ele adora.
Então já sabe: se um dia a gente ouvir aquele zumbido saindo de uma moita, pode comemorar baixinho. A mata aqui de casa passou no exame.