Pepino-do-mar-da-Flórida
Holothuria grisea
- Grupo
- Equinodermos
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Status de conservação
- Não avaliada (NE)
- Fotografias
- 5
Esse bicho passa a noite comendo areia. Isso mesmo, areia: o pepino-do-mar sai do esconderijo quando escurece e vai vasculhando o fundo, engolindo areia com tudo que vem junto. Lá dentro, ele aproveita os restinhos de comida misturados nos grãos e devolve a areia limpa. É o faxineiro do fundo do mar: onde ele passa, o chão fica mais saudável.
De aparência, é um salsichão macio e comprido, marrom, avermelhado ou amarelado, com manchas que ajudam a esconder ele no meio das algas e das pedras. Na barriga, fileiras de pezinhos com ventosas seguram no chão e empurram o corpo devagarinho, num passeio sem pressa nenhuma.
Agora a parte que sempre arranca risada: os pepinos-do-mar respiram pelo bumbum. É sério. Eles puxam água pela abertura de trás do corpo e lá dentro tiram o ar de que precisam, numa espécie de pulmão de água escondido no rabo. Entra água, sai água, e o pepino segue respirando por onde ninguém imaginaria.
Se algo o incomoda, ele se contrai de um jeito impressionante, virando quase uma bola dura. E, como os parentes, tem o dom de regenerar pedaços perdidos do corpo, remendando a si mesmo com o tempo.
Em muitos lugares do mundo esse pepino é pescado pra virar comida, e por isso os pesquisadores pedem cuidado, pra não tirar do mar mais do que ele consegue repor.
Essa foto fiz aqui em Maresias, num canto de água rasa onde ele estava fazendo o turno dele de limpeza.
Pensa nisso na próxima vez que pisar num fundo de areia gostoso e limpinho: pode ter um salsichão trabalhando nele toda noite, grão por grão.