Jequitibá-rosa

Cariniana legalis

Grupo
Plantas · árvore
Onde foi registrada
São Paulo
Status de conservação
Em perigo (EN)
Endêmica do Brasil
Sim
Endemismo regional
Sim
Fotografias
4

O fruto do jequitibá-rosa é um pote de madeira dura pendurado no galho, do tamanho de um dedo, e esse pote tem tampa. Quando as sementes ficam prontas, ele não cai no chão: abre a tampa lá em cima e fica ali, aberto, feito um saleiro pendurado no alto. Aí, cada vez que dá vento, sai uma semente.

E que semente. Ela tem uma asa de um lado só, então não desce reta: desce rodopiando, girando no ar, e o vento carrega pra longe. A árvore usa o vento como carteiro, e um pote pode ficar despachando cartas por semanas.

Quem manda essas cartas é a maior árvore da Mata Atlântica. O jequitibá-rosa chega a sessenta metros de altura e a quatro metros de grossura de tronco. Sobe reto por muito tempo antes de abrir a copa, e na base solta umas abas largas, tipo pés de elefante espalhados no chão, que seguram tudo isso em pé. É por isso que ninguém abraça um jequitibá adulto sozinho.

Só que ele é raro de nascença. Mesmo na mata inteira e bem conservada, os pesquisadores contam menos de um jequitibá-rosa por hectare, ou seja, menos de um em cada pedaço de floresta do tamanho de um campo de futebol e meio. Ele nunca foi árvore de multidão. E aí veio o corte da Mata Atlântica, e os que sobraram ficaram longe uns dos outros, cada um numa ilha de mato. Hoje ele está na lista brasileira de espécies ameaçadas de extinção.

A árvore mais velha conhecida do Brasil é um jequitibá-rosa. Chamam ele de Patriarca, e ele vive num parque estadual no interior de São Paulo, com quarenta metros de altura e cerca de onze metros de volta de tronco. Diziam por muito tempo que tinha três mil anos. As medições do pesquisador Mário Tomazello Filho apontaram depois entre seiscentos e novecentos, o que já é muita coisa: quando ele brotou, ainda faltavam séculos pra primeira caravela aparecer na costa.

Esse eu encontrei aqui mesmo em São Sebastião, o que é sorte grande, porque árvore desse tamanho é o tipo de coisa que a gente acha que só existe em livro.

Se um dia você passar por baixo de um jequitibá, olha pro chão antes de olhar pra cima. Às vezes tem uma semente de asa parada no barro, esperando o vento seguinte.

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