Perereca-grudenta
Trachycephalus mesophaeus
- Grupo
- Anfíbios
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Status de conservação
- Pouco preocupante (LC)
- Endêmica do Brasil
- Sim
- Endemismo regional
- Sim
- Fotografias
- 21
Se um bicho tenta abocanhar essa perereca, ela solta uma gosma branca feito leite, e das mais grudentas que existem. É por isso que o povo deu dois apelidos pra ela: perereca-leiteira e perereca-grudenta. A "cola" é pastosa, pega em tudo, e a mordida vira arrependimento na hora. Tem até registro de bichinho pequeno que ficou preso na gosma.
E ela nem precisa usar esse truque com frequência, porque a primeira defesa é sumir. De dia, fica imóvel num tronco ou num galho, com a pele granulosa e a cor de casca de árvore, e você pode passar a um palmo sem ver. O que às vezes entrega é o olho: uma íris dourada, bonita demais pra passar despercebida.
É uma perereca grandona pros padrões daqui, robusta, com dedos de pontas largas e grudentas, feitos pra vida em cima das árvores. Filha da Mata Atlântica, dessas que só existem no Brasil.
Quando chegam as chuvas, os machos descem pra cantar na vegetação debruçada sobre poças e lagoinhas de água parada. É ali que nascem os girinos, que crescem naquela água calma até o dia de subir pro mundo das folhas.
Essa foto fiz na rua de casa, aqui em Maresias, numa noite úmida em que ela resolveu aparecer.
Olho dourado, pele de casca de árvore e um truque de cola secreto. Convenhamos: pra um bicho que cabe na palma da mão, é muito talento junto.