Aranhas-dos-Juncos
Tetragnatha
- Grupo
- Aracnídeos
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Fotografias
- 10
Tem aranha que se esconde virando uma linha. Ela estica as duas pernas da frente para um lado, as duas de trás para o outro, encosta o corpo comprido num galho ou numa pedra molhada, e some. Não é força de expressão: você olha direto para ela e vê um risco.
As duas vezes que encontrei foram na beira d'água, e isso não é coincidência. As aranhas desse grupo vivem perto de rio, de brejo, de qualquer coisa que tenha água parada ou correndo.
A primeira foi em março de 2021, em Maresias, numa pedra encharcada bem ao lado de uma queda pequena. Ela estava espichada na horizontal, cor de madeira molhada, encostada na pedra de um jeito que some.
A segunda foi em outubro de 2024, no mesmo lugar, dessa vez pendurada de cabeça para baixo numa teia armada em cima da água branca da corredeira. Corpo alongado e prateado, pernas dianteiras esticadas para a frente como duas antenas.
O gênero é gigantesco, mais de trezentas espécies, e nenhuma tem registro confirmado neste pedaço de litoral. Não porque não existam: porque quase ninguém olha.
Ficam as dez fotos e o convite de sempre. Um nome aqui seria o primeiro da região.