Chupim
Molothrus bonariensis
- Grupo
- Aves
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Status de conservação
- Pouco preocupante (LC)
- Fotografias
- 32
O chupim nunca construiu um ninho na vida. E nunca vai construir. A fêmea faz diferente: ela procura o ninho de outro passarinho, espera a dona sair e bota o ovo dela lá dentro, no meio dos ovos da casa. Depois vai embora e nunca mais volta. Quem choca, quem alimenta, quem cria o filhote dela é a outra ave, sem nem desconfiar.
E o truque é bem bolado. O ovo do chupim leva um dia a menos pra chocar que o do tico-tico, um dos mais visitados. Então o filhote do chupim nasce primeiro, já sai na frente na fila da comida e cresce depressa. Cresce tanto que fica maior que a própria mãe de criação. E ela segue ali, coitada, enfiando comida no bico daquele filhotão que não para de pedir. Cientistas já encontraram ovo de chupim em ninho de mais de duzentas espécies diferentes. Duzentas famílias enganadas.
De aparência, o macho é bonito: preto brilhante com reflexos arroxeados, que mudam conforme a luz. A fêmea é marrom-acinzentada, sem brilho, o disfarce perfeito pra rondar ninho alheio sem chamar atenção. Eles andam em bandos barulhentos por gramados, pastos e praças, catando sementes e insetos no chão.
O da foto encontrei na trilha da cachoeira, aqui em Maresias, com aquele preto lustroso brilhando de roxo no sol.
Um dia a gente ainda vai ver essa cena na rua: um tico-tico pequenininho alimentando um filhote escuro bem maior que ele. Agora você já sabe o que aconteceu naquela casa.