Bicho-capixaba
Lagria villosa
- Grupo
- Insetos · besouro
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Status de conservação
- Não avaliada (NE)
- Fotografias
- 6
Um tenebrionídeo robusto e coberto por pelos finos e dourados, o Lagria villosa chama atenção pelo aspecto aveludado e pelos tons castanho‑escuros do corpo. As antenas são relativamente longas e segmentadas, e as pernas elevam o corpo, conferindo boa mobilidade sobre o solo e a vegetação. É comum observar fêmeas com o abdômen volumoso, uma característica marcante no gênero, enquanto os machos tendem a ser mais esguios.
Originária de regiões tropicais e subtropicais da África, essa espécie tornou-se invasora na América do Sul, incluindo amplas áreas agrícolas do Brasil. Adapta-se bem a paisagens abertas e perturbadas, vivendo em lavouras, quintais e margens de matas secundárias. As larvas e os adultos são polífagos e exploram uma grande variedade de culturas, como sorgo, abacaxi, banana, café, batata, milho e pêssego, o que explica sua reputação de praga agrícola importante.
Além do dano direto de alimentação, o Lagria villosa pode carregar e transmitir patógenos bacterianos de interesse agrícola, entre eles espécies de Fusarium e Pseudomonas. Uma curiosidade fascinante é a associação dessa espécie com bactérias simbiontes do gênero Burkholderia, que protegem os ovos e estágios iniciais contra fungos por meio de compostos antibióticos — um exemplo notável de defesa química mediada por microrganismos. O ciclo de vida transcorre no solo e na serapilheira, onde as larvas se desenvolvem até a metamorfose, favorecido por clima quente e ambientes com matéria vegetal abundante.