Baga-de-veado

Solanum diploconos

Grupo
Plantas · árvore
Onde foi registrada
São Paulo
Status de conservação
Não avaliada (NE)
Endemismo regional
Sim
Fotografias
7

Gosto de maracujá doce com um toquezinho de pequi. É assim que descrevem a baga-de-veado, uma frutinha que se esconde na sombra da mata e que pouquíssima gente conheceu de perto. Tem até quem chame ela de tomatinho-do-mato ou maracujá-do-mato, de tanto que o sabor lembra outras frutas.

O pé é um arbusto de galhos finos, que gosta de viver no meio da mata, na luz coada. As flores parecem estrelinhas, e é nelas que acontece um espetáculo escondido: a abelha chega, agarra a flor e vibra o corpo inteiro, como um celular no silencioso. Só com esse tremor o pólen sai, por furinhos minúsculos. Flor que só se abre pra quem sabe a senha.

Quando o verão chega com força, as bagas amadurecem e ficam vistosas, acesas no meio de tanto verde. Aí vêm as aves e os bichos do chão da mata, que comem a fruta e vão plantando ela por aí sem perceber.

Só que essa história tem um lado sério: a baga-de-veado anda ficando rara, e já é considerada ameaçada. Cada pé escondido na mata é mais precioso do que parece.

O que fotografei estava num canto de mata aqui de São Sebastião mesmo, quieto, sem placa, sem alarde.

Fico pensando que ali, naquele arbusto discreto, tem um doce que quase ninguém no mundo provou. A mata guarda cada surpresa.

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