Águas-vivas
Scyphozoa
- Grupo
- Cnidários
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Fotografias
- 4
Uma água-viva é quase toda feita de água. Se você pudesse tirar a água do corpo dela, sobrava quase nada, uma película fininha. E mesmo assim esse quase nada nada, caça, cresce e atravessa os oceanos há muito, muito tempo: as águas-vivas já flutuavam no mar antes de existir dinossauro.
Esse é o grupo das águas-vivas de verdade, as grandonas que a gente vê pulsando devagar perto da praia. Elas não têm coração, não têm osso, não têm cérebro. No lugar de cérebro, uma rede de nervos espalhada pelo corpo, que sente a água ao redor e comanda as contrações do guarda-chuva. É pouco? Pois com esse equipamento simples elas resolvem a vida inteira.
O corpo é um sino ou guarda-chuva de gelatina, com a boca embaixo, cercada de braços moles que levam a comida até ela. Nos tentáculos e nos braços moram as células de ferrão, a arma registrada de toda essa família: umas espécies mal fazem cócegas, outras ardem pra valer.
E a vida delas tem dois capítulos. Antes de ser essa viajante de mar aberto, cada água-viva foi um bichinho pequenino grudado numa pedra, parecendo uma florzinha, que um dia se dividiu e soltou as futuras medusas na água. Nesse grupo, é a fase nadadora que dura mais: a água-viva adulta é a estrela do filme, não o bichinho da pedra.
As fotos fiz aqui em Maresias, onde volta e meia o mar traz essas gelatinas viajantes pra perto da areia.
Guarda essa: o bicho sem cérebro, sem coração e quase só de água está no planeta há mais tempo que quase todo mundo. Simplicidade, às vezes, é um plano que funciona.