Urupiagara
Chironius fuscus
- Grupo
- Répteis
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Status de conservação
- Pouco preocupante (LC)
- Fotografias
- 16
De longe, ninguém diz que aquilo é cobra: parece um fio esticado no meio da vegetação. A urupiagara é fina, comprida, passa fácil de um metro e meio, e a cauda é tão longa que dá a impressão de que o corpo não termina nunca. Um fio que anda.
A cor ajuda no truque: dorso pardo ou verde-oliva, sem desenho nenhum chamativo, barriga mais clara. No meio de cipós e galhos com sol, ela praticamente desaparece. E o corpo leve e musculoso permite arrancadas rápidas e mudanças de direção de deixar qualquer um tonto.
Ela caça de dia, metade no chão, metade nos arbustos baixos. O cardápio favorito são rãs e pererecas, com um lagartinho de vez em quando, tudo capturado em botes velozes. Onde tem bastante sapo cantando, tem chance de ter uma dessas por perto, de olho.
Veneno perigoso, nada. Quando se sente acuada, ela apela pro teatro: achata o pescoço pra parecer maior, vibra a ponta da cauda nas folhas secas fazendo barulhinho de ameaça e, se precisar, dá botes de aviso. Mas a especialidade mesmo é sumir em velocidade.
Essa foto fiz em Paúba. Ela cruzou a vegetação baixa como um chicote e ainda parou um instante, tempo justo de um clique, antes de virar fio de novo e desaparecer.
Fica a dica de observador: na mata, nem todo galho comprido é galho. Alguns têm olhos grandes e estão te vendo primeiro.