Corruíra
Troglodytes musculus
- Grupo
- Aves
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Status de conservação
- Pouco preocupante (LC)
- Fotografias
- 11
A corruíra já fez ninho dentro de sapato velho. Não é história inventada: esse passarinho usa qualquer cavidade que encontrar pra montar a casa, e na lista já entraram poste oco, caixa esquecida, vão de construção e, sim, calçado abandonado. Pra corruíra, todo buraco é um imóvel em potencial.
E o mais engraçado é o método do casal. O macho não faz um ninho: faz vários. Sai começando ninhos de rascunho em cantos diferentes, tipo mostruário. Aí a fêmea visita um por um, avalia, e escolhe o que gostou. O escolhido ela mesma termina, com os ajustes finais dela. Os outros rascunhos ficam por aí, obras abandonadas de um corretor apressado.
Ela é minúscula, toda marrom com risquinhos finos, e anda com a caudinha curta levantada, empinada, como quem vai resolver um assunto importante. Mas o tamanho engana: a voz é enorme. O canto borbulhante da corruíra enche o quintal inteiro, e ela canta muito, o dia todo, com uma energia que não combina com aqueles poucos gramas.
O expediente dela é vasculhar: cada fresta, cada vaso, cada pilha de lenha, cada folha. Vai catando inseto e aranha nos cantinhos onde ninguém mais olha, uma faxineira incansável do jardim.
Um dia o Kaian me chamou: pai, vem ver. Era ela, cantando no muro aqui de casa, do jeito que só ela canta. Essa foto veio daí.
E dá até pra ajudar: casal de corruíra cria filhotes mais de uma vez por temporada, sempre atrás de novos buracos. Quem sabe um dia a gente não deixa uma caixinha no quintal e ganha uns vizinhos barulhentos?