Atobá-pardo
Sula leucogaster
- Grupo
- Aves
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Status de conservação
- Pouco preocupante (LC)
- Fotografias
- 10
O atobá se joga do céu no mar como uma flecha, em alta velocidade, e não se machuca. E tem um truque escondido nisso: os atobás nem têm narinas abertas. Elas são fechadas de vez, pra água não entrar no mergulho, e ele respira pelos cantos da boca. Um pássaro desenhado pra despencar na água.
A pescaria dele é um espetáculo. Ele paira sobre o cardume, escolhe o alvo, fecha as asas e desce em pique atrás de sardinhas e peixes-agulha. Às vezes acompanha os golfinhos, que empurram os cardumes pra cima, e a mesa fica posta pra todo mundo.
Mas nem tudo é moleza: existe um ladrão nessa história. As fragatas, aquelas aves grandes de asa fina, perseguem o atobá no ar depois da pesca, tentando fazer ele soltar o peixe pra roubar a refeição em pleno voo.
De perto, ele é grande e elegante: marrom-chocolate por cima, barriga branca bem marcada. E aqui a fêmea é a maior da dupla, chegando a um metro e meio de asa aberta.
Os casais criam os filhotes em ilhas, com ninho no chão, revezando quem choca e quem pesca. O filhote demora um bom tempo pra aprender as duas artes da família: voar e mergulhar.
Essa foto fiz na praia, aqui em Maresias. Eu e o Kaian estávamos olhando o mar quando um deles despencou lá de cima, e a gente ficou esperando ele voltar à tona.
Da areia dá pra assistir: um ponto escuro sobrevoando o mar que de repente vira flecha. Quando isso acontecer na sua frente, repara que não tem respingo exagerado. É um mergulho de profissional.