Caranguejos-do-rio
Trichodactylus
- Grupo
- Crustáceos
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Fotografias
- 3
Esses caranguejos nascem prontos. A maioria dos caranguejos do mar solta os filhotes na água como larvas minúsculas, que boiam semanas até virarem caranguejo. Os caranguejos-do-rio, não: a mãe bota poucos ovos, grandes, e de cada ovo já sai um caranguejinho completo, com casco, perninhas e pinças em miniatura. Sem fase de bebê boiando por aí.
E a mãe ainda faz mais: depois que os filhotes nascem, carrega todos grudados embaixo da barriga por vários dias, protegidos naquela abinha dobrada que os caranguejos têm. Uma mochila de filhotes.
Faz sentido viver assim: eles moram em riacho e córrego de água corrente, longe do mar. Se os filhotes fossem larvas boiando, a correnteza levava todo mundo embora. Nascendo prontos e agarrados na mãe, ficam em casa.
São caranguejos discretos, de casco alto e arredondado, marrom-escuro puxando pro avermelhado, do tamanho de uma caixinha de fósforos. Passam o dia escondidos embaixo de pedras e folhas afundadas, em água limpa. País afora, ganharam vários nomes carinhosos nos lugares onde o povo convive com eles.
Esse da foto encontrei num riacho aqui de Maresias, embaixo de uma pedra que levantei devagarinho (e devolvi no lugar, que ali é a casa dele).
Fica combinado então: se a gente achar um caranguejo no riacho, olha com respeito redobrado. Pode ser uma mãe com a mochila cheia de caranguejinhos.