Beija-flor-preto
Florisuga fusca
- Grupo
- Aves
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Status de conservação
- Pouco preocupante (LC)
- Endemismo regional
- Sim
- Fotografias
- 12
Esse beija-flor canta um canto que, pelo que a ciência sabe até hoje, nenhum pássaro consegue ouvir. O canto do beija-flor-preto é agudo demais: fica numa altura de som acima do que qualquer ave já testada escuta, mais fino que o mais fino dos apitos.
A descoberta foi cinematográfica. Um cientista brasileiro observava esses beija-flores e viu que eles abriam e fechavam o bico como quem canta, mas não saía som nenhum. Intrigado, ele apontou pra eles um equipamento especial, daqueles usados pra gravar os gritos ultrassônicos dos morcegos. E lá estava: eles cantavam o tempo todo. A gente é que não ouvia.
Até hoje ninguém sabe direito pra quem é essa serenata. Se os outros pássaros não escutam, pra quem ele canta? Ou será que o beija-flor-preto tem um ouvido especial, afinado numa frequência só dele? É um mistério de verdade, desses que a ciência ainda está investigando.
De aparência, ele impõe respeito: grande pra um beija-flor, quase todo preto, com um brilho esverdeado nas costas e manchas brancas nos flancos que aparecem nas manobras.
E de personalidade, nem se fala. É valente e territorial: escolhe as flores dele, bromélias e trepadeiras entre as favoritas, e defende o pedaço com voos de perseguição, expulsando os concorrentes. Além do néctar, caça inseto miudinho no ar, o lanche de proteína.
E tem um gosto que eu conheço bem: ele adora tomar banho na cachoeira de Maresias. Aparece, entra na água que cai, sacode as penas e volta para o galho, e repete quantas vezes quiser.
O da foto encontrei em Queluz, e confesso que fiquei um tempo olhando o bico dele, desconfiado: vai ver estava cantando a plenos pulmões bem ali, na minha frente, e eu no maior silêncio. O mundo tem conversas que a gente nem desconfia.