Heterotis rotundifolia
Heterotis rotundifolia
- Grupo
- Plantas
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Status de conservação
- Não avaliada (NE)
- Fotografias
- 10
Cada pedaço do caule que encosta no chão vira planta nova. Nos pontos onde a folha sai do talo, ela solta raiz ali mesmo, agarra na terra e continua crescendo para o lado. Não precisa nem de semente para isso: basta deitar. É assim que uma muda só vira um tapete verde inteiro em pouco tempo.
E é aí que mora o problema, porque essa planta não é daqui. Ela é africana, das florestas úmidas e das beiras de água da África tropical, de Serra Leoa até o Congo. Saiu de lá para o mundo como planta de jardim, dessas de cobrir canteiro, e foi escapando dos jardins. Hoje está solta na Austrália, no Havaí e em ilhas do Pacífico, e em vários desses lugares já é tratada como praga.
No Brasil ela também escapou. A lista oficial da flora brasileira já registra a espécie como naturalizada, ou seja: vive e se multiplica sozinha por aqui, sem ninguém plantar, principalmente em terreno mexido e beira de caminho.
As flores são bonitas, e essa é a armadilha. São rosadas puxando para o lilás, de pétalas macias, cada uma mais ou menos do tamanho da unha do polegar. Quem passa acha um encanto e leva um pedacinho para casa. O pedaço pega.
Essa eu encontrei na beira do caminho, aqui em Maresias. É um registro que vale, porque no estado de São Paulo ela ainda é pouquíssimo vista: nos bancos de observação da internet existem menos de dez registros dela no estado inteiro. Fotografar cedo uma planta invasora é útil, porque é enquanto ela é pouca que ainda dá para fazer alguma coisa.
Lá na África de onde ela veio, ninguém a trata como vilã. As folhas entram na comida temperando molho e refogado, e a planta tem uso na medicina tradicional. Ela não é má. Ela só está no lugar errado.