Dendropsophus
Dendropsophus
- Grupo
- Anfíbios
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Fotografias
- 6
As pererecas desse grupo carregam uma assinatura invisível: todas, sem exceção, têm exatamente 30 cromossomos. Cromossomos são os pacotinhos onde o corpo guarda a receita de como se montar, e cada tipo de bicho tem seu número. Quando os cientistas querem confirmar se uma perereca é mesmo do grupo Dendropsophus, uma das provas é essa: contar os 30 pacotinhos. É um sobrenome escrito por dentro.
Por fora, o que chama atenção é o tamanho: são pererecas miúdas, muitas delas menores que um polegar, de cores que vão do amarelo ao marrom, algumas com desenhos delicados nas costas. O grupo é gigante, com dezenas de espécies espalhadas pelo Brasil, várias aqui pela Mata Atlântica.
O palco delas é a vegetação baixa da beira d'água: capim, junco, folhas debruçadas sobre poças e brejos. É ali que os machos cantam nas noites úmidas, cada espécie com seu chiado ou apito próprio, formando aqueles coros que parecem grilos afinados.
Os ovos vão pra água parada, os girinos crescem rápido em poças rasas e mornas, e logo uma nova geração de pererequinhas sobe pro capim. Vida pequena, ciclo veloz.
Essa foto fiz aqui em Maresias, numa noite de coro cheio na beira do brejo.
Trinta cromossomos, três centímetros de bicho e um vozeirão desproporcional. Às vezes a natureza gosta de guardar as maiores curiosidades nos menores pacotes.