Calendário naturalista de Agosto

Agosto é o fim do inverno, ainda frio, úmido e de neblina, mas com os primeiros sinais da primavera, surgem diferentes tipos de mariposas e ainda podemos ver as aves que não são tão comuns na região, como o encontro, o gaturamo-bandeira e a saíra-sapucaia, que chegam em busca de comida, principalmente nos dias de mais frio.

Insetos

Nove mariposas só aparecem nesta virada de estação, e a mariposa-fantasma é uma delas. Elas ficam escondidas o inverno inteiro e só saem quando os dias ficam mais longos, o tempo esquenta e cai a primeira chuva. É a mata brotando que elas esperam: a lagarta que vai nascer come folha nova, e se saírem antes, ela nasce sem ter o que comer. É também quando a pitanga começa a cair, e a fruta madura no chão chama as borboletas que se alimentam dela, o capitão-do-mato, o corujão, que carrega dois olhos falsos, e a historis.

Plantas

A pitanga está carregada, e o que cai no chão vira comida de borboleta. A jabuticaba floresce direto no tronco, e a fruta vem depois. Florescem também o tapiá, a capororoca, a grandiúva e a uvaia.

Aves

Nos dias de mais frio descem aves que não são de todo dia por aqui: o encontro, o gaturamo-bandeira e a saíra-sapucaia, atrás de comida. Ficam pouco e somem. O sabiá-coleira, o tiê-preto e o saí-verde seguem na mata o ano inteiro.

Fungos

Agosto é mês úmido, de neblina baixa e chão molhado, e é dessa umidade que o cogumelo vive. Perto das cachoeiras e na madeira caída é onde mais se encontra. O cogumelo-de-coco nasce na madeira morta e dura poucos dias.

Aracnídeos

A parawixia arma a teia redonda entre os galhos e refaz quando ela rasga. A aranha-de-prata brilha quando o sol bate de lado. O opilião, que muita gente chama de aranha, não é: tem o corpo todo numa peça só.

Anfíbios

A umidade de agosto é o que segura a perereca por aqui: a pele dela precisa de água o tempo todo. Perto de córrego e cachoeira é onde elas ficam. A perereca-araponga leva esse nome pelo canto, que soa como pancada de metal.

Répteis

A cobra-cipó vive nos galhos, fina e verde como o cipó que lhe deu o nome. O lagarto papa-vento fica parado no tronco e muda de cor conforme a luz. A coral-de-colar-branco é peçonhenta e anda quase sempre escondida no folhiço.

Mamíferos

O macaco-prego-preto anda em bando e faz barulho muito antes de aparecer. O coandu sobe as árvores de noite, devagar, todo coberto de espinhos. O morcego-beija-flor bebe néctar parado no ar, e daí o nome que carrega.

Peixes

O pampo nada na arrebentação, onde a onda quebra e revira a areia. A raia faz o contrário: fica enterrada no fundo, esperando, só com os olhos de fora.

Moluscos

Depois da chuva a lesma sai e deixa no chão o rastro que brilha. No mar aberto vive o argonauta: a fêmea fabrica uma concha fina como papel para carregar os ovos, e o vento sul às vezes empurra uma até a praia.

_orquideas

O cataseto-pintado floresce agora. Ele atira o pólen no inseto que encosta no gatilho da flor, com força suficiente para grudar, e o bicho sai carregando sem perceber.

_frutas

A pitanga volta a dar fruto, e a que cai no chão vira comida de borboleta. A mata começa a florir de novo: o tapiá, a capororoca, a grandiúva, a grumixama e a uvaia abrem flor, preparando a fruta que vem na primavera.

Equinodermos

Quando a maré baixa e descobre o costão, a estrela-vermelha fica presa na pedra. Ela anda com centenas de pezinhos embaixo dos braços, devagar demais para a gente enxergar.

por_do_sol

Em agosto o inverno ainda dá ao fim de tarde azuis e lilases limpos, e um dourado suave na linha da serra.

_cores

Agosto é a virada. O pau-jacaré brota um verde-vivo rendado antes de florir e forma mancha na encosta; o ipê-amarelo e o jacarandá derrubam as folhas e explodem em amarelo e roxo; o mulungu e a paineira-vermelha dão os últimos vermelhos; a caixeta segue branca na mata alagada.

Registrado em agosto

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